quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Hoje é o Dia do Voluntariado

 

Ser voluntário


Ser voluntário é ser maior
maior que o homem comum
comum como aquele que se acha senhor
senhor, mas sem espírito nenhum.

 
Fica mais rica a alma de quem partilha
partilha aquilo que pode dar
dar a mão ao pobre, ao velho, ao doente e ao próximo
é a melhor maneira de começar.

 

Para seres voluntário não tens que ser monge
monge como há uns séculos atrás
antigamente não se ia tão longe
de tudo, agora, tu és capaz.

 
Ser jovem é ser capaz
capaz independentemente da idade
idade tens sempre para construir a paz
seja no campo ou na cidade.

 

Não deixes o mundo igual
igual a quando o achaste
achaste o bem e o mal
deixa-o melhor do que quando o encontraste.

Parabéns a todos os voluntários que fazem do seu tempo o tempo do outro, dando um pouco de si a quem precisa, alegrando a vida do outro com um sorriso e com o seu trabalho.

O que destrói o Ser Humano?

"A política sem princípios;
O prazer sem compromissos;
A riqueza sem trabalho;
A sabedoria sem caráter;
Os negócios sem moral;
A ciência sem a humanidade;
E a oração sem a caridade."

Mohandas Karamchand Gandhi


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Te Doy Mis Ojos" - Filme sobre Violência Doméstica

 Sinopse: 

   "Te Doy Mis Ojos" é um filme, de 2003, sobre a violência doméstica.

    Conta a história de uma mulher, Pilar, que, numa noite de Inverno foge de casa e leva consigo o filho. Pilar sabe que o marido vai procurá-la, pois ela é tudo para ele. 

   Durante o filme, as personagens vão reescrevendo esse livro de família onde está escrito quem é quem e o que se espera que façam, mas todos os conceitos estarão errados, e onde diz lar deve ler-se inferno, onde diz amor, só há dor, e quem promete proteção só dá terror.

O filme completo:




domingo, 2 de dezembro de 2012

O Assistente Social não...



Assistente Social não faz barulho, realiza Mobilização.

Assistente Social não conversa em vão, realiza Atendimento Social.

Assistente Social não escreve cartas, escreve encaminhamentos.

Assistente Social não se senta para conversar, senta para reunião de equipa.

Assistente Social não vai a casa de amigos, realiza visita domiciliar.

Assistente Social não brinca, realiza dinâmica de grupo.

Assistente Social não separa brigas, realiza mediação de conflitos.

Assistente Social não liga, faz contato institucional.

Assistente Social não dá ou doa nada, concede benefícios.

Assistente Social não sufoca ninguém, realiza supervisão de serviço.

Assistente Social não monta panelinhas, articula aliados.

Assistente Social não tem “pré-conceitos”, faz diagnóstico social.

Assistente Social não segue ou persegue ninguém, realiza monitorização.

Assistente Social não preenche tabelas, realiza estatísticas.

Assistente Social não escreve textos, escreve artigos científicos e relatórios.

Assistente Social não mexerica com colegas de outras áreas, realiza multidisciplinariedade!!

sábado, 1 de dezembro de 2012

A História dos Direitos Humanos


Afinal, onde começam os Direitos Universais?

“Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior.”

Palavras de Eleanor Roosevelt, Presidente da Comissão das Nações Unidas que redigiu a Declaração Universal dos Direitos do Homem em 1948.

Então, quem tornará as palavras, citadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, numa realidade?  
Sou Eu. És Tu.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A insustentabilidade da Segurança Social

  
       A Segurança Social nasceu da fusão (nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974. As Contribuições que entravam nessas Caixas eram das Empresas Privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%). O Estado nunca lá pôs 1 centavo.
      Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu.
Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser "mãos largas"! Começou por atribuir Pensões a todos os Não Contributivos (Domésticas, Agrícolas e Pescadores). Ao longo do tempo foi distribuindo Subsídios para tudo e para todos.
      Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres (1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido) em 1997, hoje chamado RSI. E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados. Os Governos não criaram Rubricas específicas nos Orçamentos de Estado, para contemplar estas necessidades. Optaram isso sim, pelo "assalto" àqueles Fundos.
      Cabe aqui recordar que os Governos do Prof. Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram.
Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou. É a diferença entre o ditador e os democratas?
Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais os Profs. Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o "Livro Branco da Segurança Social".
      Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estado já devia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos "saques" que foi fazendo desde 1975. Pois, esse montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7.300 Milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de 36.500 Milhões? De 1996 até hoje, os Governos continuaram a "sacar" e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos Privados. Faltará criar agora outra Comissão para elaborar o "Livro NEGRO da Segurança Social", para, de entre outras rubricas,se apurar também o montante atualizado, depois dos "saques" que continuaram de 1997 até hoje.
       Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE. Então e o Estado desconta, como qualquer Empresa Privada 23,75% para a SS? Claro que não!...
      Outra questão se pode colocar ainda. Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE? Há poucos meses, um conhecido Economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70.000 Milhões?! Ou seja, pouco menos, do que o Empréstimo da Troika!...
      Ainda há dias falando com um Advogado amigo, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Há já um grupo de Juristas a movimentar-se nesse sentido.
     A síntese que fiz, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!...
     Falta falar da CGA dos funcionários públicos, assaltada por políticos sem escrúpulos que dela mamam reformas chorudas sem terem descontado e sem que o estado tenha reposto os fundos do saque dos últimos 20 anos.
Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.

    Sabem que, na bancarrota do final do Século XIX que se seguiu ao ultimato Inglês de 1890, foram tomadas algumas medidas de redução das despesas que ainda não vi, nesta conjuntura, e que passo a citar:
  • A Casa Real reduziu as suas despesas em 20%; não vi a Presidência da República fazer algo de semelhante.
  • Os Deputados ficaram sem vencimentos e tinham apenas direito a utilizar gratuitamente os transportes públicos do Estado (na época comboios e navios); também não vi ainda nada de semelhante na atual conjuntura nem nas anteriores do Século XX.

    Aqui vai a razão pela qual os países do norte da Europa estão a ficar cansados de subsidiar os países do Sul: 
   O Governo Português:
  • 3 Governos (continente e ilhas);
  • 333 deputados (continente e ilhas);
  • 308 câmaras;
  • 4259 freguesias;
  • 1770 vereadores;
  • 30.000 carros;
  • 40.000 (?) fundações e associações;
  • 500 assessores em Belém;
  • 1284 serviços e institutos públicos.

    Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados "per capita" equivalentes à Alemanha, teria de reduzir o seu número em mais de 50%.

O POVO PORTUGUÊS NÃO TEM CAPACIDADE PARA CRIAR RIQUEZA SUFICIENTE, PARA ALIMENTAR ESTA CORJA DE GATUNOS!

É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE PORTUGAL É O PAÍS DA EUROPA EM QUE SIMULTANEAMENTE SE VERIFICAM OS SALÁRIOS MAIS ALTOS A NÍVEL DE GESTORES/ADMINISTRADORES E O SALÁRIO MÍNIMO MAIS BAIXO PARA OS HABITUAIS ESCRAVIZADOS. ISTO É ABOMINÁVEL!

ACORDA, POVO! ESTAS, SIM, É QUE SÃO AS GORDURAS QUE TÊM DE SER ELIMINADAS E NÃO AS QUE O GOVERNO FALA.

POVO, A NAÇÃO PRECISA DE TI...O TEU GRITO SERÁ A TUA ARMA... 

Fonte: Francisco Charneca, através do Facebook

O exercício profissional de um Assistente Social


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Empreendedorismo


     Um episódio de Momentos de Mudança da SIC sobre o Empreendedorismo.

     Será que a resolução, de todos os medos que assombram os estudantes que estão a formar-se e que em pouco tempo saem para o mercado de trabalho em busca do seu primeiro emprego, ou até mesmo daqueles que já têm o canudo, mas que o emprego é algo inalcançável devido à situação em que se encontra o país, passa pelo o Empreendedorismo?
Tire as suas conclusões.

Ser empreendedor é ser criativo e inovador, para um dia ser vencedor.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Emergência Infantil

     Hoje na TVI, no programa Você na TV, fizeram uma entrevista ao Psicólogo Luís Villas Boas, Presidente do Grupo de Trabalho AGENDA, sobre crianças negligenciadas, abandonadas e vítimas de maus tratos, onde são relatados os mecanismos de proteção que atuam nestas situações, como atuam, qual a intervenção mais adequada, qual o sistema de proteção e os órgãos competentes nesta área.

As soluções existentes têm capacidade para dar resposta a este problema?
 Será necessário repensar, reorganizar e reformatar o sistema de proteção em Portugal?

Obtenham as respostas a estas questões assistindo ao vídeo, através do link: 


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Inscreve-te e faz parte deste Desafio...Desafio M!



A participação no programa Desafio M é GRATUITA e ABERTA a todas as pessoas tenham enfrentado um processo de cancro da mama e que sejam referenciadas pelo Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
  
AS INSCRIÇÕES ESTÃO ABERTAS!






Contatem:
Caracol Wellness Center
Hotel do Caracol
Estrada Regional nº1
9700-193 Angra do Heroísmo Angra
Ilha Terceira, Açores, Portugal
Telefone: +351 911 508 127 | +351 295 402 666
Email: id@pnfchi.com

Mais informações em:
http://www.pnfchi-institute.com/index.php?option=com_content&view=article&id=205&Itemid=281&lang=pt

DESAFIO M - Programa de Recuperação Ativa Funcional Pós-Cancro da Mama


    Contextualização: Alguns elementos da equipa Pnf-Chi®, profissionais de saúde familiarizados com as implicações funcionais decorrentes do cancro da mama e os pressupostos de uma eficaz reabilitação física, verificaram que os princípios da abordagem iam de encontro aos objetivos da recuperação funcional da mulher em recuperação pós-cancro da mama.

    O crescente enfoque da comunidade clínica e científica sobre os benefícios da prática regular de exercício físico entre os sobreviventes de cancro veio reforçar esta hipótese.
Surgiu então a ideia de criar um projeto de intervenção comunitária que tentasse responder às necessidades detetadas. O protocolo de colaboração com o núcleo regional dos Açores da liga portuguesa contra o cancro, foi concretizado através da implementação de um projeto de intervenção junto da população de mulheres mastectomizadas da ilha Terceira (Açores). Esta iniciativa decorreu,no ano 2009, através do programa piloto "Ao encontro do seu equilíbrio ...".

    Após o sucesso desta iniciativa pioneira, em 2012, a nossa equipa lança o novo programa de intervenção, totalmente reestruturado, Desafio M.

    Este programa já se encontra a ser implementado no Caracol Wellness Center com a colaboração do Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

    Considerando as necessidades emergentes de saúde do século XXI, este programa foi pensado de forma a poder ser implementado em qualquer ponto do país.




    O Projeto: O Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro e o Pnf-Chi® assinaram um protocolo de colaboração, no decorrer da Celebração dos 25 anos do Movimento Vencer e Viver nos Açores, realizada em Angra do Heroísmo (Ilha Terceira, Açores), no dia 30 de Outubro 2012.
    Constitui objeto deste protocolo a criação de condições para a cooperação científica, técnica e de prestação de serviços na área da saúde e bem-estar, nomeadamente para o desenvolvimento e execução do Programa de Recuperação Ativa Funcional Pós-Cancro da Mama - Desafio M.


    A coordenação da parceria descrita no protocolo será constituída na sua vertente técnica e de implementação do programa “Desafio M” pela equipa Pnf-Chi® e pelos fisioterapeutas do Caracol Wellness Center, em concordância com o parecer científico dos colaboradores habituais do Núcleo Regional nesta área.

   Também foi anunciado neste ocasião, que todos os sócios do Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa contra o Cancro poderão usufruir de um desconto imediato de 30% em todos os serviços do Caracol Wellness Center (Ilha Terceira, Açores).

   Saiba mais sobre o Programa de intervenção DESAFIO M na hiperligação que se segue:
http://www.pnfchi-institute.com/index.php?option=com_content&view=article&id=202&Itemid=281&lang=pt


  
Fonte: https://www.facebook.com/DesafioM?ref=notif&notif_t=fbpage_fan_invite

Emigração



"Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre."
 Eça de Queirós

 
 Uma sátira ao nosso governo e à situação em que o país se encontra. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

10 Dicas para se tornar num Assistente Social Bem Sucedido


Disciplinar com amor

    Conheça a perspetiva de Paulo Oom sobre a importância de educar a criança promovendo a disciplina como algo natural na sua vida e na dos pais. Porque as regras não têm de ser necessariamente sérias e "sisudas".



     No que toca à educação, uma das principais ideias que nos transmite é que, em casa, deve haver um ambiente familiar que promova, em conjunto, o amor e a disciplina. Esta última num sentido construtivo e de dar as ferramentas necessárias aos filhos para que, desde cedo, possam ser ajudados a crescer e a conhecerem-se a si próprios.

O que quer aconselhar aos pais que se preparam para ter um bebé?

    Quando um bebé nasce, há a ideia de que os pais passam a viver em função daquela criança. O que tento transmitir é o oposto. As crianças e os filhos são uma coisa muito importante na nossa vida, mas não são a única. Muitas vezes o próprio casal deixa de viver como tal, para viver só para o bebé. Embora os pais possam pensar que é bom, porque estão a dar-lhe toda a atenção e carinho que merece, é importante ver as coisas noutra perspetiva, que é os pais viverem como um modelo para os filhos, em termos daquilo que os filhos vão ser quando forem mais crescidos, e seguramente que nenhum deles vai querer que a criança que estiver com eles, quando for um adulto, também viva exclusivamente para os seus filhos.

É importante que as crianças tenham essa noção delas próprias?

    É importante que os filhos percebam que os pais, para além de lhes dedicarem muito tempo, de os amarem muito e de se divertirem com eles, têm também tempo para eles próprios, têm os seus hobbies, vão jantar fora, vão ao cinema, no fundo deve transmitir-se aos filhos um determinado estilo de vida e forma de estar mais equilibrada e harmoniosa. Não é bom para as crianças que os pais passem a viver única e exclusivamente em função delas. Quando isso acontece, elas pressentem-no e carregam um enorme stress.

As crianças devem portanto aprender a ser autónomas?

    Muitos pais, hoje em dia, são quase como bombeiros e polícias de tudo o que se passa com a criança. A criança não aprende com os seus atos, porque os pais estão sempre lá para ajudar. E pensam que com  isso estão a fazer o melhor papel possível, mas não é verdade. Há muitos pais que ficam muito chocados com o deixar que as crianças aprendam com os seus próprios atos. Sempre que a segurança ou a saúde física e mental da criança não esteja em perigo, não tem mal nenhum que isso aconteça. Pelo contrário, os pais devem deixar a criança aprender com as consequências dos seus atos. Isto dá à criança uma maior autoconfiança e uma maior autoestima, porque ela consegue a dada altura perceber "Eu sou capaz de resolver os meus problemas". É importante que as nossas crianças não sejam dependente dos pais, mas independentes deles, que tenham a sua autonomia, senão  não vão estar preparadas para um dia mais tarde resolverem os seus próprios problemas, seja na escola, seja na vida adulta com os seus próprios filhos e com a família.

Há diferentes perspetivas de educar. A seu ver, o que importa salientar?

    Não há uma fórmula mágica que funciona com todas as crianças. Cada criança tem o seu temperamento, e os pais, conhecendo o temperamento dos seus filhos, têm que adaptar a sua forma de atuar de modo a ir ao encontro das caraterísticas dos filhos.Os pais também têm temperamentos diferentes, há pais que lidam melhor com determinadas coisas do que com outras.
O ideal é que tenham alguma autoridade sobre os filhos, mas que os deixem tomar as suas próprias decisões num processo gradual, desde que a criança nasce até ser adolescente.

Como funciona este processo que vai do nascimento à adolescência?

    Quando a criança nasce, é claro que 100% é controlo dos pais. Quando chega à adolescência, 100% é influência dos pais -  o que são coisas completamente diferentes.
   Ao longo do crescimento da criança, cada vez mais vai havendo menos controlo e mais influência dos pais. Normalmente, é por volta dos 8 ou 9 anos que há tanto de controlo como de influência.
A influência significa negociar, dar a nossa opinião, que a criança segue ou não, consoante as circunstâncias. É preciso este equilíbrio. Há pais que são "pais de influência" logo desde o nascimento, o que é um erro. Há pais que são "pais de controlo" ao nascimento, mas que depois não conseguem fazer a transição para a adolescência da criança em termos de mais negociação. É importante que dentro deste contexto haja alguma autoridade.

Na sua opinião, a partir de que idade se devem começar a impor limites?

   Uma criança consegue aprender limites e regras por vezes a partir de um ano e meio, seguramente a partir dos 2 anos (dizendo "não", "não mexas aí"). Em termos de regras mais básicas (por exemplo, não magoar o irmão, não dizer palavrões), a criança entende-as muito bem a partir do segundo ano de vida.
É fundamental que a criança participe na elaboração das regras, que seja ouvida a sua opinião. Não quer dizer que se faça tudo o que ela que, mas se for conversado com calma, explicando as vantagens e desvantagens de cada uma das atitudes, se a criança for tida em conta na elaboração da regra, ela sente que a regra é também dela, pois também, a ajudou a construir. A regra passa a ter utilidade, e depois é estipulada uma consequência para o caso de a regra não ser cumprida.

E se a regra não for cumprida, que tipo de atitude podem os pais ter?

    Quando a regra não é cumprida, não é altura de negociação. A negociação faz-se quando estamos a elaborar a regra. Quando a regra é desobedecida, então surge a consequência (que pode ser, por exemplo, ficar de castigo). Negociar a regra quando não foi cumprida é um erro. Pode haver mais tarde uma nova negociação, mas nunca na altura em que a regra é quebrada, senão o que acontece é que a criança não vai levar os pais a sério. Quando tudo o que os pais dizem é negociado, a sua autoridade acaba por ficar comprometida.

Pode falar-nos da sua perspetiva da disciplina e do amor?

    Não são polos opostos. A noção que muitos pais têm de disciplina é que é um termo com uma conotação muito negativa, pois acham que a disciplina significa punir, pôr de castigo, dar uma palmada. Essa noção de disciplina existe muito na nossa sociedade, mas é uma palavra que vem de discípulo, que é aquela que aprende. A disciplina significa muito mais ensinar e dar o exemplo do que punir, 90% da disciplina dos pais deve ser prevenção (que sirva de modelo aos filhos) e 10% de punição, e nesta perceção de disciplina como algo positivo, ela não é oposta ao amor, é um complemento do que os pais sentem pelos filhos.

Como pode a disciplina ser promovida com amor?

    Grande parte da disciplina pode ser feita no dia a dia com métodos de diversão em que os pais se divertem com as crianças enquanto explicam as regras, colocando-a em prática, portanto não tem de ser algo necessariamente muito sério e muito sisudo. A disciplina pode ser imposta naturalmente fazendo parte da vida daquela criança de uma forma calma, tranquila, serena, sem ser preciso incutir medo na criança. A criança sente que aquelas são as regras normais com que os pais vivem e que fazem parte da sua vida.

Os pais vão ter adversidades ao longo do percurso que se avizinha. Como aconselha a lidar com isso?

    Primeiro, é inevitável que a criança se vá portar mal . Segundo, é saudável que a criança se porte mal. Ao estar a "esticar a corda" ou a fazer uma birra, ela está a aprender o que se passa à sua volta, sobre o seu próprio temperamento e o temperamento dos pais. Não é isto que deve preocupar os pais. Aquilo que é estranho nos comportamentos é uma criança que nunca se comporta mal - porque tem medo, limitações no seu contato com os outros - ou uma criança que não sabe viver de outra forma além de se portar mal. São estes dois extremos que devem ser motivo de alarme. Em certos casos, os pais devem moldar o temperamento do seu filho de modo a que ele tenha um comportamento que socialmente seja mais aceitável. A boa notícia é que é sempre possível. Não há casos de insucesso em disciplina, se as coisas forem feitas como devem ser. Aí, de certeza que aquela criança, dentro do seu próprio temperamento, vai passar a ter um comportamento mais adequado.

Qual a importância que esta noção de disciplina tem para a personalidade da criança?

    Mais importante que a disciplina por si só é que a criança consiga uma autodisciplina, ou seja, que interiorize esses valores como sendo seus. É a criança que se porta bem quando está junto dos pais e que se porta bem mesmo quando os pais não estão presentes, porque já incutiu os valores que estes lhe transmitiram. Quando ela própria já pode ensinar os irmãos mais velhos é a coroa de glória! A criança que assume esses valores está sem dúvida muito mais bem preparada para o que a espera, porque vai ser olhada pelos seus pares como uma pessoa com determinados valores, honestidade, com o que é importante que ela tenha, e vai estar mais bem preparada para as adversidades da vida.

E portanto vai tornar-se uma pessoa mais feliz?

    Sem dúvida. Ver ser uma pessoa mais independente, confiante, com autoestima, e fundamentalmente vai ser uma pessoa muito mais resiliente, pois vai ter uma capacidade de se adaptar às adeversidades da vida, ultrapassar as coisas que são más, valorizar as que são boas. A criança que vive no outro extremo, ou seja, que faz o que quer no dia a dia, quando se dá o caso de lhe surgir um problema, não vai ter a mesma estrutura em termos de personalidade para ultrapassar essa adversidade de forma construtiva.

Um fato é que hoje em dia os pais têm menos tempo e menos ajudas da família para educar os filhos.

    De há uns anos para cá, tenho cada vez mais a perceção de que as consultas de Pediatria servem também para os pais colocarem as suas dúvidas sobre como educarem e relacionarem-se com os seus filhos. Os pais trabalham muito, têm pouco tempo para os filhos, acham erradamente que o pouco tempo que têm não  pode ser feito de regras, nem com disciplina, o que está errado.

Por fim, qual a mensagem que gostaria de transmitir?

    Há um grande cuidado durante a gravidez para que tudo corra bem, para que a criança nasça e, depois de a criança nascer, há um grande trabalho com os cuidados físicos do bebé. Portanto, a grande mensagem que gostaria de deixar é que não se esqueçam, desde o princípio, que a disciplina e o amor que transmitimos vai marcar os nossos filhos para toda a vida. É importante que os pais ajam nesse sentido!




      Uma entrevista ao Dr. Paulo Oom, pediatra, doutorado pela Faculdade de Medicina de Lisboa. O seu quotidiano faz-se entre o ensino e a atividade clínica. Faz parte da Sociedade Portuguesa de Pediatria, além de ser Professor Convidado da Universidade Católica Portuguesa. Foi inclusive membro fundador da Associação Portuguesa de Saúde Escolar e Universitária. O seu recente livro Não Te Volto A Dizer! pretende aconselhar os pais dos nossos dias a educarem os filhos com tanto de amor como de disciplina.

Fonte: Nove Meses Magazine, texto de: Ana Margarida Marques